Em 2009 estreava o que viria a se tornar um dos reality shows mais famosos da atualidade: RuPaul’s Drag Race. De lá pra cá já são 12 temporadas regulares e vários spin–offs, das quais vale destacar o All-Stars – versão do show onde ex-participantes regressam numa nova tentativa de vencer a competição. Além disso o programa tem expandido seu público e de 2018 pra cá lançou 4 temporadas internacionais, contando atualmente com uma versão tailandesa do show, Drag Race Thailand, e as mais recentes RuPaul’s Drag Race Uk, Canada’s Drag Race e Drag Race Holland ainda em exibição até a publicação desta postagem.
RuPaul Charles

RuPaul Charles, apresentador, podcaster, ator, modelo, cantor e também a Drag Queen mais famosa e bem-sucedida do mundo. O ícone nasceu em San Diego, USA Califórnia em 1960. De origem humilde, o jovem negro viria a se tornar uma figura importante no cenário club kid nova-iorquino e posteriormente ascender ao estrelato, e se tornar a deusa da comunidade LGBT.
Um pouco de sua trajetória
RuPaul já fez de tudo. Se tornou famoso ainda nos anos 80. Entre seus numerosos trabalhos já tocou numa banda, posou para capas de revistas importantes como a Vanity Fair, participou de um dos movimentos mais controversos juntamente com James St James e Michael Alig se fazendo mais do que presente no cenário Club Kid e ajudou a moldar os padrões do que é ser uma Drag Queen nos Estados Unidos e também mundo afora.

Multimídia
Do mesmo modo, RuPaul já apresentou alguns programas durante sua carreira. Em 1996 apresentou o The RuPaul Show pela emissora VH1, além de Drag Race e alguns já citados spin-offs, também já apresentou o Drag U, outro derivado da série original. Em 2016 também apresentou o programa Gay for Play.
Além disso, ao lado de sua coapresentadora e amiga de longa data, Michelle Visage, RuPaul já foi coapresentador da rádio WKTU. No mundo da música ganhou sucesso mundial com o hit Supermodel of the world. Devido ao sucesso ter escalado acabou ganhando muita popularidade e tempos depois assinou contrato com a MAC Cosmetics, se tornando a garota propaganda da empresa, e por conseguinte a primeira supermodelo Drag da história.
Precursora
Devido a personalidade descontraída e cheia de charme, RuPaul conquistou uma legião de fãs. “Você pode me chamar de ele. Você pode me chamar de ela. Você pode me chamar de Regis e Kathie Lee. Eu não ligo. Desde que você me chame.”. Além disso, RuPaul escreveu uma autobiografia intitulada GuRu, lançado em 2018. Anteriormente já havia publicado outra autobiografia intitulada Lettin it all hang out: an autobiography, lançada em 1995. Também lançou outro livro, Workin’ It RuPaul’s Guide to Life, Liberty, and the Pursuit of Style, em 2010, um guia sobre a vida, liberdade e a busca por estilo.
Em 2019, novamente pela VH1 RuPaul apresentou o talkshow que leva seu próprio nome. Entre inúmeros trabalhos RuPaul já fez história no mundo do entretenimento em todas as áreas. Como ela mesma gosta de dizer, ela já fez de tudo.
Amizade com Michelle Visage

RuPaul é amigo de longa data de Michelle Visage, esta que viria a se tornar sua escudeira inseparável e atualmente coapresentadora do reality, auxiliando RuPaul no júri e tendo entrado no programa a partir da terceira temporada substituindo Merle Ginsberg. Visage que ultimamente tem se autointitulado uma Drag Queen, o que diga-se de passagem, é um ótimo adendo para a comunidade drag visto que mulheres cisgênero sofrem com certo preconceito e olhar tortuoso em relação à mulheres exercendo a atividade drag.
Polêmicas
A carreira de RuPaul é recheada de polêmicas. À começar por ele ser uma Drag Queen. Afinal, nem sempre foi um trabalho socialmente aceito. Ainda não é totalmente hoje, mas quarenta anos atrás certamente era muito pior. Fora isso, RuPaul teve algumas outras polêmicas ao longo de sua carreira, como o episódio recente em que sofreu acusações de transfobia, ocasionando numa demonização temporária de sua imagem.
Transfobia
Alguns fãs, em especial as pessoas trans, se sentiram incomodados com um dos bordões do show: “Oooh, Girl! You’ve got shemail.”. A expressão era utilizada logo no início de cada episódio como uma espécie de charada para introduzir o desafio semanal. Ainda assim, a expressão ”shemail” é considerada pejorativa por muitos. Cedendo às duras críticas, a produção acabou alterando a mesma na sétima temporada, substituindo-a por “She done already done had herses”, algo como: “ela já recebeu o que era dela”.
RuPaul uma vez comentou que participantes do sexo feminino não seriam aceitas no programa, pois mulheres cis ou trans teriam vantagem em relação à homens – implicando que o ato de aquendar causaria uma desvantagem para uns. O comentário foi duramente criticado, entretanto atualmente a produção e a própria RuPaul parecem ter mudado de ideia e, recentemente anunciaram que nas próximas temporadas do programa a presença de Drag Kings e mulheres cis ou transgênero deve sim acontecer.
Vale ressaltar que o programa já contou com mulheres trans anteriormente. Em sua maioria ainda em processo de transição ou que não haviam assumido publicamente a mudança de sexo, mas já aconteceu mesmo assim. Participantes como Sonique (2ª temporada), Stacy Layne Matthews e Carmen Carrera (3ª temporada), Jiggly Caliente (4ª temporada), Monica Beverly Hillz (5ª temporada), Gia Gunn (6ª temporada) e Peppermint (9ª temporada) são algumas das Drag Queens que assumiram publicamente a mudança de sexo, tendo sido algumas delas ainda durante o show.
Atritos com ex-participantes
Para além disso, RuPaul já teve pequenas desavenças com alguns participantes do programa. Dentre esses atritos, talvez o mais famoso foi o episódio envolvendo Pearl Liaison (7ª temporada), onde a famosa e polêmica indagação “Do i have something on my face?” ou “Tem alguma coisa no meu rosto?“, dita por Pearl à RuPaul, ficou marcado na história do programa. Anos mais tarde, Pearl concedeu uma entrevista exclusiva à web série ‘Hey Qween’ apresentado por Johnny McGovern onde ela contou que se decepcionou com alguns comentários e atitudes de RuPaul quando as câmeras estavam desligadas; e posteriores ao show também.
Contudo, outros atritos também ajudaram a macular a imagem de RuPaul. Numa desavença virtual com a ex-participante Courtney Act (6ª temporada), RuPaul acabou bloqueando-a no twitter.

Outras polêmicas
Quando não a própria RuPaul, o programa acabou causando tretas que entraram pra história do programa. Na 4ª temporada, por exemplo, Willam Belli foi desqualificada por acusações de ter quebrado as regras da competição; no mesmo episódio em que ganhou um desafio. A justificativa para tal teria sido i fati de que Willam teria levado seu então namorado para o hotel onde as participantes estavam hospedadas; o que era terminantemente proibido pelo regulamento do show.
Manila Luzon (3ª temporada), uma das grandes favoritas do público também criticou RuPaul e o programa por ter sido impedida de usar um vestido que representava o fluxo menstrual, ao que RuPaul dissera ser de “péssimo gosto”, e o comentário também repercutiu negativamente devido à hipocrisia levando em conta a natureza contra-culturista do programa.
Produção sacana?
Noutra ocasião foi a vez de Laganja Estranja (6ª temporada) se desentender com o programa. A participante fazia uso de Cannabis, e, ter sido proibida de fazer uso da erva lhe ocasionou episódios de crise de ansiedade. Após o programa, Ganja afirmou que jamais retornaria para uma temporada All-stars por conta do estresse que sofreu em sua participação original.
The Vixen foi uma das Drag Queens que se desentenderam mais recentemente com RuPaul. Neste caso, na 10ª temporada, The Vixen teve um confronto direto com o apresentador na reunião da temporada. A ex-participante se sentiu incomodada com as acusações de manter um comportamento de “mulher negra americana e nervosa” ao que The Vixen retrucou “As mulheres negras são as pessoas que mais tem motivos para ter raiva na América” e abandonou o palco momentos depois. Defendida pela colega Asia O’hara, The Vixen sofreu muito hate devido ao acontecido, dentro e principalmente fora da competição.
Edição
Acusaram o programa de edição maldosa. Existem vídeos apontando indícios, onde participantes estão num lugar em determinado momento e repentinamente brotam em outro, implicando que o programa recortava comentários aqui e ali e reposicionavam para dar outro contexto as palavras. É muito fácil encontrar vídeos assim na internet.
Quem mais sofreu com a edição foi Phi Phi O’hara (4ª temporada), considerada por muito tempo a grande vilã do show, Phi Phi anunciou o fim de sua carreira Drag ainda em 2020. Em sua participação na 2ª temporada da versão All-Stars nem mesmo compareceu à reunião por conta justamente da edição do programa.

Max (7ª temporada) foi outra participante que sofreu com a edição maldosa. porém, diferentemente de Phi Phi, ela não foi tratada como vilã, mas a forma como editaram o programa fizeram parecer que Max teve um surto. Roxxy Andrews (5ªtemporada) e The Vixen foram outras participantes famosas pela edição de vilã durante o programa.
Tyra Sanchez
O destaque para as grandes polêmicas envolvendo o programa aconteceram na vida real. Tyra Sanchez (drag persona de James Ross, participante da 2ª temporada) foi preso por acusações de vandalismo. Além disso, a ex-participante se tornou persona non grata na DragCon, a maior conferencia de Drag Queens do planeta, organizada pela WoW presents, produtora do reality. Na ocasião, Tyra fez diversas ameaças, inclusive chegando à fazer uma ameaça de bomba, o que ocasionou em pânico durante o evento. A produtora do show decidiu por afastar Tyra da conferência até que a mesma se desculpasse publicamente, o que ela fez de forma inadequada posteriormente; infelizmente as desculpas não parecem ter sido aceitas e ainda este ano, James abandonou a carreira de drag. Aparentando estar bastante revoltada com todo o ódio que recebeu dos fãs, James renegou de vez o nome “Tyra” se recusando a ser chamado assim.
Sherry Pie

A maior polêmica do show, no entanto, não está relacionado com RuPaul diretamente, nem tampouco com o programa. Joey Gugliemelli, mais conhecido pelo “nome de guerra” Sherry Pie foi acusado de catfishing. Alguns atores vieram a público expor a situação a que foram submetidos com a proposta de contratação de atores. Nos episódios, Sherry pediu para que os mesmos enviassem gravações com insinuações sexuais. Sherry teria alegado ser uma recrutadora de uma agência de atores, o que não era verdade. O programa acabou eliminando Sherry ainda no primeiro episódio da temporada tendo ainda exibido uma mensagem no início de cada episódio informando sobre a eliminação do participante.

Ainda que ela tenha aparecido em todos os episódios da temporada, o programa exibiu uma mensagem notificando o ocorrido na introdução de cada episódio explicando que Sherry não faria parte da grande final devido aos acontecimentos recentes. Com efeito, sua participação no programa, tal como comentários e execução dos desafios foram reduzidos drasticamente.
Afinal, o que é RuPauls Drag Race?
RuPaul’s Drag Race, ainda que tenha passado por muitas polêmicas, sobreviveu até agora à 11 anos de exibição. E um programa com tantas horas no ar acaba passando por situações problemáticas. No entanto, nem só de drama vive o reality show, muito pelo contrário, a maior parte do programa é repleta de humor, performances de encher os olhos e muitas perucas caindo. Com episódios com duração média entre 40 à 60 minutos de exibição, Drag Queens competem em desafios diversos, entre eles, costura, canto, dança e atuação para concorrer ao título de Drag Superstar e concorrer a prêmios em dinheiro, vestidos caríssimos, vouchers entre outras premiações.
Entrada
No início de cada temporada nos são apresentadas as participantes. A apresentação é feita na introdução das participantes no ateliê. Algumas entradas foram tão impactantes que conquistaram seu espaço na história do programa. Seja pela bizarrice, criatividade ou extravagância, é ali onde muitas torcidas ou antipatias nascem. Algumas das participantes que tiveram entradas inesquecíveis incluem: Mónet X Change (10ª temporada), Katya Zamolodchikova (7ª temporada) e Vivacious (6ª temporada).

Elenco
Um dos grandes trunfos do programa certamente é o elenco. Desde a escolha dos participantes da primeira temporada onde nos foram apresentados diferentes estilos de drags, ou na sétima temporada onde a moda foi um fator muito importante, todas as temporadas contaram com participações muito carismáticas, dramáticas e histéricas. E ainda hoje a revelação das participantes é sempre muito ansiada pelos fãs do programa, e vídeos de teorias ou predições e rumores das participantes são comuns de encontrar no reddit ou youtube.

Drama
Se tratando de drama, não teve como não se sensibilizar com Roxxy Andrews. A “vilã” da quinta temporada anunciou em rede nacional durante sua primeira participação no programa que fora abandonada pela mãe numa estação de ônibus, emocionando até mesmo RuPaul num episódio muito tocante. Na primeira temporada, Ongina, uma das favoritas do público assumiu publicamente conviver com HIV, cinco temporadas mais tarde, Trinity K Bonet fez o mesmo em declarações muito tocantes. Recentemente foi a vez de Yvie Oddly (11ª temporada) nos apresentar sua condição rara e degenerativa que conforme o decorrer dos anos poderá até mesmo impedi-la de executar suas performances como Drag Queen.
E não para por aí, no decorrer dos episódios fomos apresentados aos dramas vividos por vários ex-participantes, seja pelos episódios de homofobia e abandono que vivenciaram no passado, pelas agressões ou decepções da vida ou pelo estresse da competição, Drag Race tem seus momentos tocantes.
Carisma
Se tratando de humor, a gigante Bianca Del Rio (6ª temporada) está sempre no fronte. Com uma língua afiada e timing excelente para piadas, a Drag Queen é considerada por muitos a melhor a já ter participado do programa. Também vale destacar o humor teatral de Jinkx Monsoon e sua narcolepsia que geraram episódios engraçadíssimos na 5ª temporada, ou sua colega de elenco, Alaska Thunderfuck 5000 que se tornou uma das grandes favoritas da série com sua personalidade hilária e referências da cultura pop. O humor, aliás é uma característica de muitas outras participantes, tais como: Pandora Boxx (2ª temporada), Darienne Lake (6ª temporada), Bob the Drag Queen (8ª), Miz Cracker e Monét X Change (10ª), Mrs. Kasha Davis (7ª), etc…
Humor
Entretanto, além do humor há participantes que simplesmente entretém e funcionam muito bem na televisão. Seja pela linguagem corporal, pelas gírias, pela voz ou pelas tiradas humorísticas, muitas participantes conquistaram o carinho do público no decorrer das temporadas. O grande destaque vai para Alyssa Edwards que se tornou uma das Drag Queens mais famosas a terem participado do programa, ganhando até mesmo um programa na Netflix, Dancing Queen. Alyssa ficou famosa mundialmente ainda na 5ª temporada pela rivalidade com Coco Montresse e pela grande quantidade de memes que gerou. Seja pelos “back rolls” ou pelas discussões com Coco, suas expressões e estalos de língua, Alyssa é engraçada sem nenhum esforço.
Além dela, sua drag filha, Shangela Laquifa Wadley (2ª e 3ª temporadas) já havia conquistado o coração do público temporadas antes. Shangela, aliás foi quem deu origem à algumas tradições do programa que continuam firmes e fortes até hoje, como por exemplo a mensagem escrita com batom no espelho falso mais famoso da televisão. Em sua primeira participação no programa, Shangela ainda novata na arte Drag, conquistou seu próprio espaço com sua personalidade energética e constantes saudações à Jeová. Na 10ª temporada foi a vez de Monique Heart se tornar a rainha dos confessionários, juntamente com Shangela, Jujubee e Miss Vanjie. Aliás, Jujubee é uma das drag queens mais queridas pelo público, uma excelente performista, cantora e humorista, a Drag Queen asiática participou 3 vezes do programa assim como Shangela e em todas elas, teve um destaque enorme.
Singularidade
Vanessa Vanjie Mateo, participante da 10ª e 11ª temporadas também veio a se tornar uma das grandes queridinhas do público. Sua voz grave lhe atribuía uma certa “graça característica” e única a sua drag persona. Em sua eliminação na décima temporada acabou se tornando um meme: “Miss Vanjie”. A lembrança da estreia da temporada com sua eliminação perdurou por muito tempo no gosto dos fãs e concedeu a Vanjie um lugar reservado no favoritismo do público. Vanessa chamou a atenção logo em sua primeira participação no show e seu retorno na temporada seguinte foi ovciamente mais do que esperado. Isso lhe concedeu mais tempo de tela, tal como havia acontecido com Shangela anos atrás.
Yvie Oddly é a própria definição de singularidade, resgatando um estilo de se fazer drag que não é mais comum hoje em dia. Com looks bizarros e conceitos diferentões, Yvie ganhou o coração dos fãs na 11ª temporada. Antes de Yvie, Jinkx Monsoon (5ª temporada) e Sharon Needles (4ª temporada) abriram espaço para drags com estilos mais ímpares dessem as caras no show. Ainda antes delas, já na primeira temporada Nina Flowers abria alas para as já citadas e também, Crystal Methyd (12ª), Milk (6ª), Acid Betty (8ª) e outras.
Coragem
RuPaul já foi sinônimo de Punk, de movimentos de contracultura, de transgressão e de muita política durante sua carreira. Por conta disso, é muito notável como às queens mais politizadas sempre tiveram destaque no show. Chad Michaels (4ª temporada), Nina West (11ª), Bob The Drag Queen (8ª) por exemplo são sinônimos de política em Drag Race. Enquanto queens como Detox (5ª), Latrice Royale (4ª) e The Vixen (10ª) se tornaram sinônimos de autoridade drag em suas participações no reality.
Talento
Enquanto muitas Drag Queens que passaram pelo programa obtiveram vitória com a ajuda da costura de estilistas famosos, amigos ou família, outras se viraram sozinhas e conseguiram construir looks até mesmo do lixo. Yvie Oddly, Chi Chi Devayne, Ivy Winters são exemplos de queens que podem construir vestidos conceituais com qualquer resto de material que for conferido à elas. Igualmente, muitas ex-participantes são cantoras profissionais, tais como Adore Delano, Courtney Act e Jan. Outras são atores natos, como Jinkx Monsoon, Valentina e Willam, por exemplo.
Mini-desafios
No inicío de cada episódio é feito um mini-desafio, onde são dados apenas alguns minutos para que as participantes se montem – o que o programa chamou de quick drag – e executarem as tarefas mais hilárias possíveis. Dentre elas, ensaios fotográficos diferentões são feitos, para tal as queens são mergulhadas num tanque d’água, tomam banho de mangueira ou se equilibram numa prancha giratória enquanto jatos de tinta são jogados em toda a produção das participantes. dancinhas esquisitas, dublagem com fantoches, e a famosa “reading challenge”, onde participantes devem “gongar” umas as outras. A premiação dos mini-desafios concedem benefícios para as participantes e certamente são minutos valiosíssimos em cada um dos episódios.
Desafio principal
O desafio principal do programa varia a cada semana e é sempre um dos grandes destaques de cada episódio. As variações vão desde o Ball Challenge, desafio onde participantes devem construir 3 looks com temáticas variadas; RuMix, desafio que ocorre geralmente nos últimos episódios das temporadas onde as queens participam de videoclipes ou coreografias e fazem participações especiais em músicas de RuPaul; Makeover Challenge, desafio em que participantes devem maquiar convidados especiais de modo que estes últimos se assemelhem visualmente à estética drag das participantes; desafios de atuação, canto, coreografias de encher os olhos e muitos outros.

Dentre todos os desafios, o Snatch Game talvez seja um dos, senão o desafio mais popular. Desafio este onde os participantes devem imitar a aparência e os trejeitos de personalidades da cultura pop e supostamente adivinhar lacunas em frases, muito embora não é levado em consideração o número de acertos, mas o quão divertido e fidedigno foram às interpretações de cada personagem. Aliás, o Snatch Game é tão importante para o programa que a maioria das vencedoras ganharam o desafio ou se saíram muito bem durante o Snatch Game de suas temporadas, salvo raras exceções.
Passarela
Além dos desafios principais, com exclusão do Ball challenge que se faz inteiramente na passarela, as participantes devem apresentar looks diferentes a cada episódio, o que também contribui para definir quem vencerá os desafios semanais em caso de performances equiparadas. Os visuais variam muito. Podemos destacar entre os mesmos, o estilo extravagante e a pegada africana de Bebe Zahara Benet (1ª temporada), as “fish queens” (Drag Queens que se assemelham muito à mulheres, quando montadas) como Tatianna (2ª), Carmen Carrera (3ª), Vivienne Piney (5ª temporada) e Courtney Act (6ª), por exemplo.
Muitos looks entraram para a história do programa como grandes referências de moda. E dentre as Drag Queens mais fashionistas, há a “santa trindade da moda” composta por Raja Gemini (3ª temporada), Violet Chachki (7ª) e Aquaria (10ª); três das Drag Queens que mais roubaram a cena com looks polidos e avant-gard durante suas respectivas participações no programa.
Memes
Verdade seja dita, o show é uma fábrica de memes. Além do já citado “Miss Vanjie”, a grande maioria das participantes memoráveis deixaram sua marca no show com um bordão ou frase de efeito. Em RuPaul’s Drag Race até mesmo uma simples palavra pode se tornar um meme, como foi o caso de Tatianna, Adore Delano e Alaska, por exemplo. Todas elas colocaram expressões no vocabulário dos fãs com os famosos bordões que lançaram. Respectivamente: “Choices”, “Party” e “Hieeee”.
Algumas citações famosas do show:
Good god girl, get a grip!
Latrice Royale (4ª temporada)
Don’t get bitter. Just… get better!
Alyssa Edwards (5ª temporada)
I’m feeling my oats. Let me feel my oats!
Gia Gunn (6ª temporada)
Not today satan. Not today!
Bianca Del Rio (6ª temporada)
No entanto, alguns jargões da própria RuPaul caíram no gosto popular: “Can i get an amen up in here?”, “Hello, hello, hello” e “Gentlemen, start your engines and may the Best woman win!” caíram no gosto popular, assim como muitos outros.
Convidados Especiais
Apesar de o programa ter uma boa rotatividade de convidados especiais, entre os quais, ícones do mundo LGBT, astros e estrelas hollywoodianas, lendas do cenário club kid e cantores famosos, quase nenhum deles realmente marcou o programa. Um dos pontos baixos do show, que por sua vez poderia fazer melhor uso dos convidados especiais, já que se tratando de júri quem decide é basicamente a RuPaul.
But the final decision is mine to make
RUPAUL
Uma das poucas exceções foi Nicki Minaj que surpreendeu no episódio de estreia da 12ª temporada, marcando presença nos poucos minutos em que apareceu e realmente opinando criticamente e agregando ao júri em sua pequena participação. Mas ainda assim, o show poderia fazer melhor uso dos convidados especiais.
Batalha de dublagem
Queridinha dos fãs, as batalhas de dublagem são juntamente com a revelação do elenco e do elenco em si, um dos acontecimentos mais aguardados pelos fãs. Em bares, reuniões de amigos ou em streams de fã club, os telespectadores prendem os suspiros e não desgrudam os olhares dos espacates, coreografias envolventes e saltos mortais. Momento decisivo de cada episódio, as participantes que obtiveram os piores resultados naquela semana tem que dublar pela permanência no programa.
A cada semana uma música diferente, as vezes uma ótima escolha, noutras não. O fato é que os fãs de Drag Race levam o programa, a torcida e principalmente as batalhas de dublagem tão a sério que beiram o fanatismo das torcidas de futebol. Não a toa, o show é considerado o futebol LGBT, gerando até mesmo discussões sobre quem é a melhor Drag Queen, quem deveria ter ganhado o episódio semanal ou até mesmo quem deveria ter vencido a temporada.
Mais dublagens
É claro, nem sempre as dublagens são boas ou memoráveis, em duas ocasiões as dublagens foram tão ruins que ocasionaram numa eliminação dupla: uma na 5ª temporada e outra na 8ª. Entretanto, por 11 vezes o oposto aconteceu. Durante as temporadas, algumas ocasiões levaram RuPaul ou outros jurados optarem por manter duas participantes na competição. Seja por terem julgado suas dublagens icônicas ou por algum outro fator. Entre elas, o destaque fica para Yvie Oddly VS Brooke Lynn Hytes na 11ª temporada, Roxxy Andrews e Alyssa Edwards na 5ª temporada e Tatianna vs Alyssa Edwards na 2ª temporada All-Stars.

Abaixo você confere uma lista selecionada a dedo pelo Bar do Bardo com as melhores dublagens de cada temporada e em destaque as melhores de todos os tempos:
- Bebe Zahara Benet vs Ongina, e
- Shannel vs Rebecca Glasscock, e
- Bebe Zahara Benet vs Nina Flowers na 1ª temporada.
- Raven vs Nicole Page Brookes, e
- Morgan McMichaels vs Sonique, e
- Jujubee vs Sahara Davenport na 2ª temporada
- Alexis Mateo vs Stacey Laney Matthews, e
- Manila Luzon vs Delta Work, e
- Carmen Carrera vs Raja Gemini na 3ª temporada
- Dida Ritz vs The Princess, e
- Sharon Needles vs Phi Phi O’hara, e
- Latrice Royale vs Dida Ritz na 4ª temporada
- Alyssa Edwards vs Ivy Winters, e
- Coco Montresse vs Alyssa Edwards, e
- Jinkx Monsoon vs Detox Icunt, na 5ª temporada
- Darienne Lake vs BenDelaCreme, e
- Joslyn Fox vs Laganja Estranja, e
- Adore Delano vs Trinity K Bonet na 6ª temporada
Da 7ª à 12ª:
- Katya Zamolodchikova vs Sasha Belle, e
- Kennedy Davenport vs Jasmine Masters, e
- Katya Zamolodchikova vs Kennedy Davenport na 7ª temporada
- Robbie Turner vs Cynthia Lee Fontaine, e
- Chi Chi Devayne vs Thorgy Thor, e
- Bob the Drag Queen vs Derrick Berry na 8ª temporada
- Aja vs Kimora Blac, e
- Nina Bo’nina Brown vs Aja, e
- Sasha Velour vs Shea Coulée na 9ª temporada
- Mónet X Change vs Dusty Ray Bottoms, e
- Kameron Michaels vs Eureka O’hara, e
- Kameron Michaels vs Miz Cracker na 10ª temporada
- Brooke Lynn Hytes vs Yvie Oddly, e
- Yvie Oddly vs A’keria C Davenport. e
- Yvie Oddly vs Brooke Lynn Hytes dublando pela segunda vez na 11ª temporada
- Widow Von’du vs Gigi Goode, e
- Jaida Essence Hall vs Sherry Pie, e
- Heidi N’ Closet vs Jackie Cox na 12ª temporada
Nas temporadas All-Stars:
- Raven vs Jujubee na 1ª temporada
- Detox Icunt vs Alyssa Edwards, e
- Alaska Thunderfuck 5000 vs Phi Phi O’hara, e
- Alyssa Edwards vs Tatianna na 2ª temporada
- BenDelaCreme vs Aja, e
- BenDelaCreme vs Shangela, e
- Shangela vs Trixie Mattel na 3ª temporada
- Valentina vs Mónet X Change, e
- Manila Luzon vs Mónet X Change, e
- Mónet X Change vs Naomi Smalls na 4ª temporada
- India Ferrah vs Yvie Oddly, e
- Jujubee vs Mónet X Change, e
- Miz Cracker vs Morgan McMichaels na 5ª temporada
Nas temporadas internacionais:
- Morrigan vs Minnie Minaj, e
- Natalia Pliacam vs Amadiva na 1ª temporada tailandesa
- Maya B’haro vs Kana Warrior, e
- Angele Anang vs Kana Warrior na 2ª temporada tailandesa
- Blu Hydrangea vs Scaredy Kat, e
- Crystal vs Sum Ting Wong, e
- Cheryl Hole vs Blu Hydrangea na 1ª temporada britânica
- Pryianka vs Kiara, e
- Rita Baga vs Lemon na 1ª temporada canadense
- Miss Abby OMG vs Ma’ma Queen, e
- Janey Jacké vs Chelsea Boy, na 1ª temporada holandesa
Menções honrosas, em destaque as dublagens mais atípicas:
- Shannel vs Akashia, na 1ª temporada
- Raven vs Mystique Summers, e
- Sahara Davenport vs Morgan McMichaels, e
- Tatianna vs Jessica Wilde, e
- Jujubee vs Pandora Boxx na 2ª temporada
- India Ferrah vs Mimi Imfurst, na 3ª temporada
- Chad Michaels vs Latrice Royale, na 4ª temporada
- Honey Mahogany vs Vivienne Piney, e
- Detox Icunt vs Lineysha Sparx na 5ª temporada
- Trinity K Bonet vs April Carrión, e
- Trinity K Bonet vs Milk na 6ª temporada
- Ginger Minj com Sasha Belle vs Jaidynn Diore Fierce com Tempest Dujour, e
- Jaidynn Diore Fierce vs Kandy Ho, e
- Jaidynn Diore Firce vs Max na 7ª temporada
- Dax Exclamation Point vs Laila mCQueen, e
- Chi Chi Devayne vs Naysha Lopez, na 8ª temporada
- Nina Bo’nina Brown vs Valentina, na 9ª temporada
- Mayhem Miller vs Yuhua Hamasaki, e
- Mónet X Change vs Mayhem Miller, e
- Kameron Michaels vs Asia O’hara, na 10ª temporada
- A’keria C Davenport vs Plastique Tiara vs Scarlet Envy vs Honey Davenport vs Shuga Cain vs Ra’jah D O’hara, e
- Ra’jah D O’hara vs Mercedes Iman Diamond, e
- Ra’jah D O’hara vs Scarlet Envy, e
- Brooke Lynn Hytes vs Vanessa Vanjie Matteo, na 11ª temporada
- Heidi N Closet vs Jackie Cox,
- Widow Von’du vs Gigi Goode,
- Jaida Essence Hall vs Sherry Pie, na 12ª temporada
- Katya vs Detox Icunt, na 2ª temporada All-Stars
- Monique Heart vs Latrice Royale, na 4ª temporada All-Stars
- *RuPaul vs Michelle Visage no especial de natal
Miss Congeniality
No fim de cada temporada, geralmente na reunião ou na grande final, antes da coroação da campeã da temporada é definida a Miss Congeniality, ou Miss simpatia da temporada. Título conferido à participante mais simpática e/ou agradável durante o decorrer da temporada. Até a 9ª temporada a Miss Congeniality era eleita através de votação online, mas devido à um ataque Hacker que contabilizou umauma quantidade absurda de votos falsos à The Vixen, as votações foram anuladas, e então, a partir da 10ª temporada a Miss Congeniality foi eleita através do voto das próprias participantes. Existem muitos rumores falsos alegando que a forma da votação mudou devido a eleição de Valentina ter sido eleita a Miss simpatia da temporada anterior, já que o elenco discordou que ela fosse agradável nos bastidores, mas isso é uma informação falsa.

Apesar deste título estar presente desde a temporada original, nenhuma temporada All-stars concedeu algum título de miss simpatia, e a única temporada internacional à ter concebido alguma miss simpatia foi a temporada tailandesa, que contou também com uma adição exclusiva chamada de Drag Superstar, nada mais do que uma miss simpatia escolhida pelo público.
Spin Offs
A franquia cresceu exponencialmente ao longo dos anos. Por conta do grande sucesso, de uma temporada underground o reality conseguiu ganhar muito mais espaço nas telinhas, dominando as competições do gênero e lançando novidades todo ano.
All-Stars
As temporadas All-Stars funcionam de maneira semelhante as temporadas regulares do programa. Com a diferença de que o elenco é composto apenas por ex-participantes de temporadas regulares anteriores que retornam numa repescagem para concorrer novamente.

Fiasco
A primeira temporada All-Stars aconteceu logo após a 4ª temporada regular e contou com as Drag Queens favoritas do público daquela época. Entretanto, a primeira temporada do show não foi muito bem concebida, com um formato diferente do atual e que causou estranhamento do público por ter dividido as participantes em duplas. Em outras palavras, no lugar de uma eliminada por semana, a dupla era eliminada de uma vez, de modo que a temporada chegou ao fim precocemente. Os desafios eram bastante caóticos e a narrativa dos episódios eram muito corridas. Um grande desperdício de elenco, talvez o melhor entre todas as temporadas All-Stars e definitivamente o elenco mais competitivo.
Sucesso
Porém, em 2016 a segunda temporada All-Stars foi lançada, e até hoje é considerada uma das melhores temporadas de todos os tempos. Contando com um elenco tão bom quanto o da temporada anterior, o diferencial desta é que ela seguiu o molde da versão regular, participantes competiam individualmente pela coroa. A diferença estava na eliminação, diferentemente da versão regular do show, aqui as duas melhores participantes de cada episódio dublam pelo seu legado, de modo que a vencedora é quem decide qual participante dentre as piores é que será eliminada da competição. Plot twist que se estendeu até a quarta temporada do programa, sendo substituída na 5ª temporada por um formato diferente.
LPA
Na 5ª temporada, adotou-se o termo “lipsync assassin” ou assasina de dublagem; termo que já era utilizado pelos fãs para nomear participantes que venceram 3 ou mais batalhas de dublagem numa única temporada e venceu no mínimo 2 delas. Entretanto o termo é bastante questionado se utilizado somente no número de vitórias ou na qualidade das dublagens, pois muito embora sempre há uma vencedora (com exceção das duas eliminações duplas, é claro), nem sempre a participante vitoriosa consegue performar muito bem, como aconteceu na 11ª temporada numa batalha de dublagem entre Silky Nutmeg Ganache contra Nina West, ocasionando num grande “meh”.
Algumas das melhores assassinas de dublagem que passaram pelo programa incluem: Jujubee, Trinity K Bonet, Chi Chi Devayne, Mónet X Change, Kameron Michaels e Yvie Oddly. Muito embora nem todas participaram como convidadas da 5ª temporada, o retorno de algumas nas temporadas seguintes é mais do que aguardado já que o formato agradou bastante ao público.
Reviravoltas
O grande problema ou trunfo das temporadas All-Stars são os plot twists que essa versão do reality show oferece, nem sempre essas reviravoltas são bem aceitas, como no caso da 3ª temporada onde as participantes eliminadas escolheriam apenas 2 das 4 participantes semi-finalistas para dublarem pela coroa. Uma receita para o caos.
Temporadas internacionais
Tailândia
A primeira temporada internacional de Drag Race não foi apresentada por RuPaul. Ao invés dela, Art Arya, famosa Drag Queen e estilista tailandesa apresentou o show ao lado de Pangina Heels. A versão tailandesa do programa se afasta bastante do original e pode causar certo estranhamento para quem não fala tailandês. No entanto, a qualidade, tanto do programa quanto do elenco em ambas as temporadas são similares à temporadas All-Stars da franquia.
Aliás, é muito nítido como as drags tailandesas são mais femininas e delicadas e menos andróginas. Os visuais são mais compostos e possuem enorme apego a cultura tailandesa e oriental. Embora, parte da graça do humor ser bastante regional, o programa ainda entretém no ocidente e é certamente uma das melhores versões internacionais.

Mistério
A Kantana ou a WoW Presents, produtora e distribuidora do show na Tailândia ainda não confirmaram uma terceira temporada, ainda que rumores apontem para o cancelamento da série.
Reino Unido
Em 2019 estreou a temporada britânica do show. A primeira e única temporada internacional apresentada por RuPaul até o presente momento. RuPaul já havia comentado o quanto o cenário drag é diferente entre as queens americanas e as britânicas. Enquanto as Drag Queens americanas buscam maior foco no visual, as drags britânicas tem maior apelo com a performance. Isso fica bastante evidente nas chamadas promocionais da série, por exemplo.
Diferentemente da versão americana do show, Drag Race Uk não concedeu nenhum prêmio em dinheiro para a vencedora, mas sim um webshow próprio. O motivo é que a emissora na qual o programa foi exibido não pode fornecer premiações em dinheiro para vencedores de reality shows.
A segunda temporada da versão britânica foi confirmada e tem data de estréia prevista para 2021. Uma terceira temporada também já foi confirmada.
Canadá
Com um anúncio relâmpago foi divulgado no início de 2020 que Brooke Lynn Hytes, uma ex-participante do show iria ser jurada fixa na versão canadense junto à Stacey McKenzie e Chad Bowyer-Chapman. A temporada canadense pegou todo mundo de surpresa e nos apresentou um elenco de peso já na primeira temporada.
Muito embora a temporada tenha contado com um ótimo elenco, o grande problema se deu nos jurados. Com críticas superficiais e beirando ofensas, os fãs criticaram duramente os jurados, principalmente Chapman. O que resultou numa temporada completamente caótica e inconsistente. Definitivamente a pior versão internacional do show.
Holanda
Fred Van Leer comanda a versão holandesa do show, atualmente em exibição. A temporada holandesa acertou em tudo até o presente momento. O elenco, apesar de não ser o mais diverso e carismático contou com a presença de Drag Queens excelentes, incluindo a primeira Drag Queen brasileira a participar da franquia, Miss Abby OMG.
Os destaques da versão holandesa vão para Fred Van Leer que conseguiu substituir RuPaul com maestria. Com carisma próprio, sem abusar da sombra da apresentadora original como outros jurados fizeram no passado, Fred também não cedeu à inconsistências nas críticas e as vitórias dos episódios até então vem sendo muito justas.
Um ponto fraco da versão holandesa são os desafios que não parecem ter sido muito bem elaborados quanto a versão americana. O motivo pode ter sido o orçamento, endossado pela premiação, um vestido estimado no valor de 18 mil euros, ao invés do dinheiro, coroa e um cetro.

Sucesso inesperado
Tal como a versão tailandesa, a versão holandesa do programa se destaca como uma das melhores versões internacionais do show até o presente momento juntamente com a versão tailandesa. Com mais investimento, a série tem tudo para continuar.
Outras versões?
Existem muitos rumores sobre uma versão brasileira do show. Muito se menciona Pablo Vittar. Diversas vezes por rumores falsos, tanto como convidada especial como jurada da versão brasileira da franquia. Mas a verdade é que até o presente momento são apenas rumores. A produção do programa já havia dito que estão produzindo outras versões internacionais do show. A produção da franquia já comentou sobre uma versão australiana. Entretanto a Endemol anunciou recentemente que desistiu de lançar uma temporada brasileira devido a polarização poliítica que o País se encontra atualmente, informando também que a licença para reprodução da série se encerrou.
Além dos rumores existe uma temporada chilena. Temporada esta que não foi originalmente um reality show produzido pela WoW presents, mas cujos direitos foram comprados posteriormente. Uma curiosidade é que Gia Gunn, ex-participante da versão regular participou também de Switch Drag Race.
Avaliação
RuPaul’s Drag Race é uma franquia importantíssima. Num mundo heteronormativo, a introdução da cultura e dos costumes LGBT se faz deveras importante, e o reality show faz isso com maestria. Com leveza e bom humor a série demonstra o quanto a profissão é cheia de camadas e nuances e é muito bem sucedida em humanizar a pessoa escondida por trás das maquiagens e das roupas extravagantes. Deste modo, apesar de seguir um padrão comercial e ir totalmente contra o comentário de RuPaul sobre a arte Drag não ser mainstream, o reality conseguiu criar um êxodo da marginalidade uma atividade outrora não muito bem vista pela sociedade.
A série já recebeu algumas premiações, desde Emmy à choice awards. Isso comprova o reconhecimento do reality ao longo dos anos e também o seu sucesso. Sem nenhum sinal de fadiga, o reality segue lançando temporadas novas e novos formatos. e somente no ano de 2020 a WoW presents distribuiu 5 versões do show: RuPaul’s Drag Race 12ª temporada, All-Stars 5ª temporada, RuPaul’s Secret Celebrity Drag Race, Canada’s Drag Race e Drag Race Holland.
Pontos negativos
A série deixa a desejar em questão de variedade. Por conta do formato o reality acaba se tornando um pouco repetitivo. Muito embora as sucessivas temporadas durante a quarentena foram um ótimo presente para os fãs.
Além disso, a limitação da série em relação à participação de mulheres trans e cisgênero acaba afetando também a diversidade do elenco, o que acaba contradizendo um pouco a própria causa. Já que muito tem se falado na quebra de gênero e na fluidez das drags ou de como não existem regras no mundo drag, as vezes o reality acaba causando a impressão de que existem sim regras para tal, e, neste caso, a regra é ser o mais semelhante possível à RuPaul.
Outro ponto baixo já citado anteriormente são os convidados especiais que poderiam ter uma participação um pouco mais acentuada, já que basicamente o que fazem são piadinhas pré-escritas durante os comentários na passarela e críticas superficiais que muitas vezes parecem ter sido escritas por estagiários.
Outro ponto negativo, que foge ao reality, mas que diz respeito ao fandom, é o fato dos fãs mais novos da série serem extremamente tóxicos. Com o crescimento da popularidade da série veio também o crescimento da onda de comentários maldosos nas redes sociais de muitas ex-participantes, incluindo mais recentemente a Miss Abby OMG. Enquanto o show não se pronuncia sobre isso, muitas das drags que passaram pelo programa continuam sofrendo com o mesmo problema, principalmente Drag Queens que foram editadas pelo próprio programa como vilãs ou mesquinhas. Lógico com suas ressalvas.
Pontos positivos
Drag Race tem potencial para se tornar um clássico ancorado na TV por muitos anos. Sem dúvidas a série serviu como estopim para o reconhecimento da comunidade drag e também contribuiu para que mais programas voltados ao público LGBT ganhassem mais espaço nas telinhas.
Ao longo dos anos, drags moldaram os conceitos de modas e muitos dos costumes cosméticos e estéticos utilizados por mulheres atualmente, se deram graças às Drag Queens. Muitas queens são famosas pelas habilidades com maquiagem, e no show tivemos várias maquiadoras habilidosas, como, Kim Chi (8ª temporada), Nina Bo’nina Brown (9ª) e Raven (2ª temporada). Sendo a última maquiadora da própria RuPaul nos últimos anos.
Além disso, o programa consegue resgatar muito da história e da política LGBT e as entrelinhas das sketchs nos desafios de atuação possuem um olhar humorístico e ácido sobre alguns nuances da sociedade que muitas vezes são tão bem mascarados que passam despercebidos entre tantos exageros, e por exagero entenda como algo positivo, afinal se tratando de drags, mais é mais.
Apesar da fama, Michelle Visage também é um ponto alto no programa, sempre irreverente ela não mede as críticas e apesar do carinho que muitas queens possuem por ela, fica visível o profissionalismo da coapresentadora. Embora, como já demonstrado na 2ª temporada All-Stars ela também serve de figura materna para muitos dos participantes. Igualmente, Visage é um ótimo contraste à figura de RuPaul.
Nota final

O reality show se faz necessário hoje mais do que nunca. Em tempos de uma crescente odiosa nos EUA e mundo afora, é importante que alguém fale pelas minorias com maior propriedade e cuidado, e, a franquia Drag Race faz isso muito bem. A série é um ótimo produto do entretenimento e é facilmente maratonável, mas transcende muito o simples entretenimento e o viés político tem se feito cada vez mais presente nas últimas temporadas.
Em suma, Drag Race já comprovou o seu valor entre os fãs e crítica e já está consolidada na cultura pop, não a toa possui até mesmo uma coleção de Funkos e muitas ex-participantes ganharam o mundo com tournês mundiais, filmes, séries, álbuns musicais e inúmeros outros trabalhos; recentemente Aquaria e Violet Chachki participaram do Met Gala 2019 ganhando repercussão mundia. Ainda em 2019, Shangela e Willam entraram para a história participando da cerimônia do Oscar juntamente com Lady Gaga; Shangela, aliás se tornou a primeira drag a entrar montada numa cerimônia do Oscar, não existe nada mais Punk do que isso.
Para além disso, muitas gírias utilizadas pelos jovens LGBT saíram diretamente do show. Apesar de não ser tão importante, é impossível negar o impacto dos memes no mundo atual e até mesmo nisso o reality conseguiu traçar sua própria influência.
Sem dúvidas, Drag Race deve continuar aumentando o seu sucesso nos próximos anos, principalmente caso realmente expandam as vagas para o elenco de temporadas futuras e abram espaço para uma representação mais diversa, abrangindo Drag Kings e pessoas trans, pois, isso trará uma nova visão para o show. E porque não um RuPaul’s Drag King Race?
Bônus
Assistir Drag Race de forma cronológica é bom, mas pode não ser tão bom para aqueles que são muito sensíveis ao visual, já que as primeiras temporadas possuíam um filtro que deixava a imagem um pouco datada, principalmente a temporada original. Ademais, as temporadas possuem um balanço muito grande entre si, se tratando do quão boas elas foram. Segue uma lista de indicação da pior para a melhor temporada:
- Secret Celebrity Drag Race 1ª temporada
- RuPaul’s Drag Race All-Stars 1
- RuPaul’s Drag Race 1ª temporada
- Canada’s Drag Race 1ª temporada
- RuPaul’s Drag Race 7ª temporada
- RuPaul’s Drag Race 9ª temporada
- RuPaul’s Drag Race 8ª temporada
- Drag Race Thailand 1ª temporada
- RuPaul’s Drag Race 3ª temporada
- RuPaul’s Drag Race All-Stars 3
- RuPaul’s Drag Race 4ª temporada
- RuPaul’s Drag Race All-Stars 5
- RuPaul’s Drag Race UK 1ª temporada
- RuPaul’s Drag Race 10ª temporada
- Drag Race Holland 1ª temporada
- RuPaul’s Drag Race 11ª temporada
- RuPaul’s Drag Race All-Stars 4
- Drag Race Thailand 2ª temporada
- RuPaul’s Drag Race 12ª temporada
- RuPaul’s Drag Race 2ª temporada
- RuPaul’s Drag Race All-Stars 2
- RuPaul’s Drag Race 5ª temporada
- RuPaul’s Drag Race 6ª temporada
Esta postagem é dedicada a lembrança de Sahara Davenport (1985 - 2013) e Chi Chi Devayne (1984 - 2020)

