Adágio de Solidão

Tempo de leitura: 2 minutos
https://www.youtube.com/watch?v=J97K63ueY5A
Adágio de solidão – Tiano Pedrozo

O poema

Vida minha, desculpe se algures não te valorizei o suficiente por ser minha mesmo e somente minha. Te peço perdão por esses anos todos. Também por essa jornada de tentar me encontrar, sem rumo e sem respostas. Essa garrafa de Vedett hoje é meu sangue ébrio e, o pedaço de pizza fria na embalagem na qual chegou é o meu corpo, e essas palavras escritas na madrugada insone são meu amor que deixo aos poucos derramado sob a superfície de um tapete que me abraça a solidão. É mais fácil falar difícil; porque só assim é que as pessoas não entendem; e só não entendendo, é que elas querem entendem. Vida minha, eu quero viver você! Sozinho, mas acompanhado de mim porque você, vida, disse que seria assim E se é assim que tem que ser, é assim que vai ser. Então vamos nós dois sozinhos, e juntos ter a coragem de sermos nós mesmos, sóbrios ou ébrios, e entregar mais de nosso sangue e de nosso corpo e, de nosso amor para nos afogar no desconhecido que tanto conhecemos um dia antes. É um adeus e um ola! É matar a saudade do meu amor. É evoluir e sentir dor de novo! É gritar e querer ter razão! É sentir, e elucidar, e escrever e dançar, e beber e chorar no revéillon. É não dormir a noite, mas nunca mais de dúvidas, viver insone da certeza de que tudo é incerto, menos os meus devaneios e o devir divino do que está mais uma vez por vir. Vir diferente, rir diferente, mas que se faz novo de novo, que é igual e mudado, que não faz sentido, mas faz só pra mim. Só pra mim. Só.

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Tim-tim!

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