O poema
O que é o outro lado senão um reflexo antagônico do lado de cá? Enquanto o sol se prostra à direita, do outro lado a lua vive. A lua em si mesma possui dois lados; e seu lado escuro adorna a escuridão. Estudando as nossas diferenças é que encontramos semelhanças. Há sempre insegurança no prazer, dissabor na saudade, ansiedade na esperança, e, esses sentimentos mistos são lados que se encontraram pela tangente, superando o vão que há no centro de tudo. Do ponto de vista da esquerda tudo é brilhante e prateado, como uma lua cheia, e, do ponto de vista da direita o céu é verdadeiramente nítido na escuridão. Ambos os lados são tão lua quanto seu oposto, sem o equilíbrio certo o que garantiria a órbita da lua como a conhecemos? Sem a lua do lado de lá da Terra o que seria das marés? Sem as marés, o que seria dos mares? Sem o mar o que seria de quem está na areia querendo nadar? Não haveria destino para ir ou objeto para avaliar, pois o outro lado, ignorado e desfavorecido é para onde caminhamos sempre. Nas profundezas do mar, nas alturas entre as nuvens ou nos confins de corações humanos, sempre existirão lados. Lados esses que não nos são ensinados a desbravar, pois a licença do erro ser miseravelmente humano é uma prova de que estamos fadados a ignorância de nunca conhecermos genuinamente o outro lado; mas também é uma prova de que em nosso fardo também carregamos um pergaminho de descontentamento de causa de nossos lados opostos. E é essa centelha de descontentamento que decidirá quem construirá as pontes para um verdadeiro conhecer de causas.
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Tim-tim!
